OS MISÉRÁVEIS

Este épico de Victor Hugo retratava a perseguição de Jean Valjean condenado durante anos a servir nas galés e após o cumprimento da pena e tendo sido colocado em liberdade a perseguição e marginalização pelo inspetor Javet. Este clássico da literatura mundial mostra como a humanidade pode ser vil e como as pessoas detentoras de poder mesmo por breves espaços de tempo se transformam e o usam para prejudicar o semelhante.

A pequena introdução que fiz apenas para ilustrar o que pretendo escrever neste artigo nada mais é do que um comparativo, mesmo o livro tendo sido publicado pela primeira vez em 1832 há quase 220 anos, possuir ainda assim com um conteúdo tão atual. Da mesma forma que Javet que representava o governo e a ordem estabelecida perseguia Jean Valjean o representante do povo, assim como os outros personagens que sofriam da fome, doenças e pobreza extrema, o governo dos nossos dias persegue o povo sem nenhum tipo de clemência, exaurindo ao máximo através dos impostos altíssimos a subtração do dinheiro que os indivíduos ganham labutando dia a dia com muito suor e esperança.

Tudo isso derivado de uma gestão precária e medíocre que arrasta o país nos últimos 12 anos, após muitos altos e baixos anteriores mas ajustáveis, para o precipício em que se encontra, agonizando entre corrupções nababescas e indulgências jurídicas com uma visão blindada legislativa. A máxima: “A Justiça é cega!” não mais se aplica ao presente, na verdade os três poderes estão de olhos bem arregalados na população que sim é cega e não vê que estão sendo empurrados para um beco sem saída. Há bastante tempo li a história de um professor de economia que durante a aula discutiu com seus alunos os sistemas de governo e aplicações, sendo que a maioria achava que a distribuição de renda uniformemente entre as classes seria a solução ideal para uma sociedade evoluir.

Em vão o professor tentou refutar essa ideia afirmando que a riqueza se dividida em geral não se multiplica porque não haverá investimento suficiente para que isso aconteça, e como a maioria dos alunos discordava, ele propôs que fizessem esse experimento na própria classe nas próximas três avaliações que teriam no semestre. Então ficou decidido que todas as notas das provas seriam somadas e divididas pela quantidade de alunos que prestaram prova e atribuída a nota média igualitariamente e todos aceitariam o resultado.

Na primeira avaliação feitas as devidas contas a nota da turma ficou em 8 para todos, os alunos que haviam estudado e se empenhado para conseguir a nota máxima que seria 10 ou aproximada ficaram desapontados, mas entenderam que era para um bem maior. Já os que não haviam estudado adequadamente ou nem pego no livro para ler ficaram radiantes com o resultado obtido.

Feita a segunda avaliação e novamente chegando-se ao resultado utilizando a mesma formula a nota caiu para 5. Desta vez somados àqueles que não haviam estudado, os melhores alunos da classe entenderam que o esforço deveria ser coletivo e estudaram apenas para obter a média que era 7, não conseguindo seu intento.

Na terceira avaliação todos ficaram com nota 3! Isso porque os que não estudavam já não o faziam mesmo desde sempre, e os que anteriormente estudavam já não se sentiam na obrigação de fazer algo porque estavam carregando um peso morto que não era de suas responsabilidades e que os demais não deveriam se aproveitar do seus esforços pessoais.

Ainda na tentativa de salvar a classe o professor descartou a nota mais baixa, somou as duas mais altas e dividiu por dois atingindo a média 6,5. 0,5 ponto abaixo do necessário para qualificar a turma para o próximo período e por conseguinte reprovou a turma toda. Não precisa ser um expert para perceber que essa formula estava errada desde o inicio.

A menos que o professor inventasse trabalhos extras, testes adicionais ou outros artifícios não existia formula que pudesse mudar esse resultado e para nós hoje esta lição é a mesma como sociedade. A parte do povo mais debilitada pela pobreza está tão carente de qualquer tipo de serviço publico que vai desde a saúde, educação e especialmente justiça seja ela social ou jurídica, que quando qualquer politico aparece oferecendo uma oportunidade eleitoral assistencialista, nem olham para trás, aceitando sem que possam mediar as consequências. Enquanto a outra parte que se enquadra na classe média não se sente mais na obrigação de levar nas costas o peso do fracasso das medidas governamentais.

Não cabe uma critica sobre o que os pobres ou novos miseráveis devam ou não fazer, mas sim criticar (significa apontar novas perspectivas) para que o país seja elevado à condição de nação soberana e não na forma em que se encontra, numa latrina suja emporcalhada onde a grande maioria faz suas necessidades e não se sente na obrigação senão de limpar, pelo menos de dar a descarga!

Esta para mim é a nova versão do clássico da literatura Os Miseráveis, só que desta vez resumida por mim, Ana Paula de Carvalho uma brasileira sim, até então… Porque hoje tenho muita vergonha disso, como jamais aconteceu no passado.

Ana Paula de Carvalho

Sobre Ana Paula Carvalho Silva

apc_anapaula@hotmail.com
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