Maricá Ambiental: Verde que te quero verde | Maricá Info | Notícias em Primeiro Lugar

Maricá Ambiental: Verde que te quero verde | Maricá Info | Notícias em Primeiro Lugar.

Por Ana Paula de Carvalho

A luta ambiental em Maricá é uma história que percorre o município desde quase a sua fundação, como uma novela com direito a romances, traição, intrigas, mortes e muito mais. Na verdade quando falam que “A arte imita a vida!”, é fato! Por vezes um pouco caricatas, com outros nomes, locais, mas é a vida… Cheia de estórias!

Estas caricaturas, durante décadas, até mesmo séculos podem vir a se tornar mitos, sim mitos! Pois nunca foram verdades na sua totalidade, ainda que todos os mitos sejam baseados em fatos reais, entretanto, diante a tantas tentativas de imputarmos falsas verdades, muitos de passam a acreditar que é verdadeiro algo que não passa do “Mundo de Alice”. A necessidade de lutarem apenas pela sobrevivência leva a que acreditem em qualquer coisa, pois estão também, muitas das vezes, reféns em seus próprios espaços, não só por falta de perspectiva, como também por comodidade. Até mesmo hoje com os recursos tecnológicos, vemos Comunidades (grupos de discussão) infladas de entes que apoiam esta ou aquela atitude, mas na sua maioria não se levantam da cadeira atrás das telas de computadores, celulares ou tabletes para defenderem in loco seus pontos de vistas.

Voltando ao ponto inicial, desde sua origem Maricá tem sobrevivido à predação e ganancia, motivada pela facilidade de proximidade com a capital do estado e por ter recursos naturais exuberantes. É um município onde todos, (e isso não exclui o mais simples dos moradores desde o momento em que este não se interessa em participar ativamente das decisões administrativas do governo local) parecem ou se preferirem, se comportam em querer apenas usufruir sem a preocupação futura de continuidade, imediatistas, preocupados em resolver apenas os seus problemas de momento, não vislumbrando o amanhã como meta a ser atingida. Em momento algum percebemos a preocupação dos locais, entidades ou população, em reverter à natureza a gratidão por tanta abundancia.

Antigamente, podemos dizer “nos tempos idos”, mas não muito distantes, as lutas ambientais eram travadas quase que me pé de igualdade, ainda existia uma questão de que naquele momento não havia tanto alcance de informação de ambas as partes e existia sem dúvida algum merecido respeito pelas populações residentes e suas opiniões, por mais absurdas que pudessem parecer. Com o passar dos anos, diria os mais recentes 10 a 15 anos, os desenvolvimentos das ciências e tecnologias e acesso irrestrito ás informações (e desinformações), vem provocando uma luta fora dos padrões morais e em sua maioria de forma desproporcional. Entidades (físicas ou jurídicas) com recursos financeiros e midiáticos, imputam interesses próprios através falácias, criam verdades baseadas em argumentos que nem mesmo existem, modelos de desenvolvimento fictícios e expectativas surreais.

Um bom exemplo disso é, por exemplo, o complexo portuário de Jaconé que estão enfiando goela abaixo da população e esta nem mesmo se dá ao trabalho de comparecer ás audiências para dizer se é a favor ou contra. Acabam por deixar que outros com reais interesses econômicos tomem as decisões futuras por si, para mais tarde, sim, reclamarem que a violência urbana aumentou, assim como a prostituição infantil, as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e a favelização da mão de obra de baixa renda que se desloca em massa para a construção deste tipo de empreendimento.

O mais curioso é que quando se especula sobre a oferta de emprego, toda a população que aprova este tipo de empreendimento que fere todas as normas técnicas e ambientais para ser implementado, acham que serão candidatos à presidência ou diretoria das empresas me questão. Esquecem-se de que a PETROBRAS, por exemplo, só contrata via concurso, que a mão de obra disponível será para as empresas terceirizadas e assim mesmo ferirá o meio de vida cultural local porque obrigará a que sejam cumpridas as jornadas de trabalho e não mais a forma como é hoje, se chover não vou, se fizer sol talvez, vou deixar para amanhã, etc…

Os grandes problemas ambientais que posso citar em relação a Maricá, pelo menos nos últimos anos são as extrações de minerais (remoção de areia, brita), a degradação das matas ciliares (remoção na sua totalidade), a migração urbana a cada especulação de obras de grande porte e de meios vidas que jamais aconteceram e jamais acontecerão, baseados nos exemplos que citei acima. Hoje de forma provisória nos livramos do risco da degradação da APA por estes empreendimentos, mas corremos o risco de novas intervenções se não definirmos que futuro garantirá aquele espaço a sua integridade ambiental de forma verdadeira. Precisamos definir hoje o que aquela área será, pois infelizmente e pelo que estamos vendo sucessivamente no Estado do Rio de Janeiro, utilizando-se do INEA, que hoje está entre os órgãos mais corrompidos do Brasil e que utiliza as leis e faz alterações para atendimento tão somente ao empreendedor, jamais a população.

Os órgãos fiscalizadores que deveriam estar atendendo seus verdadeiros clientes, que são os cidadãos, que vivem, possuem cultura e sonhos entre outros, se tornaram facilitadores destas injustiças ambientais que desrespeitam tudo o que deveria ser mais sagrado: A sociedade! Isto tudo com discursos desenvolvimentistas e agressões profissionais e pessoais a quem discorda desta forma de “desenvolvimento”.

A APA hoje desfruta de uma pseudosegurança, mas precisa logo, o quanto antes, definir seu futuro! Pois o restante de Maricá está em risco. Indústrias de tinta, onde o metal pesado base para sua produção será injetado no solo comprometendo os lençóis freáticos, o Polo Naval de Jaconé – TPN é outro risco eminente de poluição, de degradação social e extermínio de bens naturais. E de forma bastante contundente é o fato de que todas estas empresas necessitam de ÁGUA para produção e cada vez mais a qualidade da pouca já existente ficará comprometida. Mas isso hoje não importa, porque quem tem dinheiro muda-se para outro lugar, quem não tem adapta-se e com o passar dos anos conviverá de forma passiva com as doenças degenerativas.

Vejam exemplos da tão falada e na moda SUSTENTABILIDADE por algumas empresas:

SANTANDER: “Para nós, sustentabilidade é uma forma de fazer negócios em que todo mundo ganha, pois ao investir em ações que beneficiam a sociedade e o meio ambiente, o País e o Santander também crescem.” Fonte: http://sustentabilidade.santander.com.br/oqueesustentabilidade/default.aspx

PETROBRAS: “Otimizar o consumo de recursos naturais; Prevenir e mitigar os impactos à biodiversidade nas diferentes atividades e operações de exploração e produção de óleo e gás na Amazônia; Aperfeiçoar a gestão dos poluentes e resíduos gerados pelas atividades e operações; Aperfeiçoar a gestão do processo de recuperação de áreas impactadas; Orientar o planejamento e execução das atividades de instalações e sistemas de transporte; Orientar o planejamento e execução das atividades de gerenciamento de riscos e contingência, no intuito de permitir a prevenção e atuação eficaz no controle de emergências; Otimizar os impactos das atividades de exploração e produção sobre o público externo.” http://www.hotsitespetrobras.com.br/Diretrizes/

VALE: Desenvolvemos diversas ações para aumentar a eficiência e a sustentabilidade de nossas operações. Conheça algumas dessas iniciativas: Transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável. http://www.vale.com/brasil/PT/aboutvale/initiatives/Paginas/default.aspx?gclid=CPn4ubOks7sCFTEV7AodR08AnA

O fato é que não vemos na prática o discurso de melhorias em nenhum segmento da sociedade, pelo contrário estamos sempre com os piores índices de desenvolvimento humano não só da América Latina, como em relação ao resto do mundo. A bem da verdade, Sustentabilidade é apenas uma palavra bonita e que está na moda, mas que ninguém a coloca efetivamente em uso!

Maricá sobreviverá a mais estas ameaças? Sim, mas não a Maricá que conhecemos e que alguns gostariam de preservar como refúgio ecológico. Quem realmente se beneficiará com tudo isto serão os mesmos de sempre, os empreendedores que degradam os ecossistemas em prol das suas necessidades e uma vez exauridos os recursos mudam-se para outros lugares. A classe politica que leva o seu percentual de comissão para aprovar projetos ilegais e imorais e a população que nesse momento troca seus sonhos por um saco de cimento ou um tapinha nas costas.

Ao que parece que se esquecem de forma muito rápida de que “Em nossa casa, nossas regras!” ou desistem pela intimidação e que estes objetivos deveriam estar acima dos sentimentos mais individualistas e não da coletividade. Porém, como falei anteriormente, somos em número mais espectadores do que protagonistas, e ficamos calados assistindo pelas janelas vizinhos morrendo nas filas de hospitais, famílias desconsoladas, amigos humilhados pela subvida que levam.

Citei no inicio que o mundo mudou, está mais rápido, imediatista e trocando os valores morais por índices financeiros.

 

Sobre Ana Paula Carvalho Silva

apc_anapaula@hotmail.com
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