ABES e a CRISE HÍDRICA

Prezada Ana Paula De Carvalho

Lendo o editorial do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, “Desrespeito a População” (imagem abaixo), trago aos nossos milhares de associados o assunto para reflexão.

As declarações do presidente da ANA, Vicente Andreu, em evento ocorrido na Assembleia Legislativa de São Paulo, referentes às medidas emergenciais adotadas pelo Governo de São Paulo para combater a estiagem pela qual passam os paulistas da Região Metropolitana de São Paulo, causaram muitas reações de técnicos e governo.

Andreu classificou as medidas (referentes ao uso das reservas técnicas de algumas represas que formam o sistema Cantareira) como “pré-tragédia” e previu que, se a intensidade das chuvas não voltar à média histórica, “não haverá alternativa a não ser ir ao lodo”.

Evidentemente, diversas respostas foram dadas por representantes do governo paulista e divulgadas pelos órgãos de imprensa. Tais respostas têm como ideia central a “disseminação do pânico” pelo dirigente do órgão federal.

No momento em que São Paulo vive a pior crise hídrica de sua história, faço a pergunta: o depoimento do Sr. Vicente Andreu ajuda a encontrar saídas?

A agência reguladora, como ela diz, tem como missão coordenar o uso sustentável da água “em benefício das atuais e futuras gerações”. Ela pretende ser reconhecida como referência no desempenho de suas funções e, para bem desempenhá-las, diz ter como valores “compromisso, transparência, excelência técnica, proatividade e espírito público”.

A mesma presta serviços importantes e fundamentais para o devido manejo dos recursos hídricos nacionais.

É parceira da ABES de longa data e, por isto, afirmo que as declarações de seu presidente levam a discussão a caminhos que absolutamente não interessam à nossa sociedade.

A grave seca que afeta toda região sudeste e, de forma mais aguda as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas, não pode ser partidarizada. Tal comportamento é um desserviço à discussão dos recursos hídricos.

Conforme alertado na reunião do conselho diretor da ABES em Brasília, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos não foi convocado nenhuma vez para discussão do grave cenário. A evidente subordinação de todo o sistema de gestão dos Recursos Hídricos ao setor elétrico através do Operador Nacional do Sistema é gravíssima, paralisando hidrovias, prejudicando o abastecimento público de água em diversas regiões do Brasil sem nenhuma discussão nos fóruns competentes, o que ao nosso ver apequena o papel da ANA.

Em nota, a agência disse ser “fundamental manter a cooperação e confiança entre os atores institucionais que atuam na gestão e regulação dos recursos hídricos”. É isto que dela se espera.

O que precisamos é reconstruir a missão e restituir o respeito às instituições de Estado.

 Dante Ragazzi Pauli

Presidente Nacional da ABES

desrespeitopopulcao1

 

Sobre Ana Paula Carvalho Silva

apc_anapaula@hotmail.com
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