Rio + 20 (5a. Parte): Maricá, a Cidade Insustentável

De todos os exemplos que conheço, considero hoje a Cidade de Maricá a mais insustentável do País, e falo isto com muito desgosto, pois foi nela que depositei o meu futuro e de minha família, busquei a esperança de constituir e viver numa qualidade de vida sem igual (no sentido positivo). Mas assim como o Brasil, Maricá caminha na contramão de um desenvolvimento sustentável, duradouro, verdadeiro e legítimo.

Maricá é objeto de diversos empreendimentos, todos de certa forma relacionados ao COMPERJ. Se não é para os seus efluentes líquidos, estão relacionados ao fornecimento de matéria prima (petróleo), até mesmo em sua mão de obra ou dormitório. Em resumo estamos perdendo nossa identidade, isto é, estão nos obrigando aceitar um futuro que não queremos, que nunca procuramos.

Pior ainda é ter a certeza que os órgãos de competência que deveriam estar imbuídos de verificar estes empreendimentos, realizar estudos de sinergia de impactos e os impactos cumulativos, sempre em mente que a legislação e o licenciamento ambiental visa muito mais que a fauna e flora, visa a sustentabilidade daquela sociedade, num cenário real atual e vislumbrado nestas interposições (inclusive futura).

Outra preocupação está na responsabilidade, pois o Estado pelo interesse de desenvolvimento imediato (pois a cada 4 anos pode perder o seu “tempo”) quer repassar suas responsabilidades ao empreendedor, mas esquecem que estes são comerciantes, visam o lucro atendendo seu cliente (o governo), não interessa a sustentabilidade daquela população. Então, condutas um pouco ou tanto autritárias se tornam quase costumares como se fossem normais, favores ou contrapartidas questionáveis, entre outras. Este é um processo imoral.

Outro também é a tentativa de doutrinar através de desinformações, falsas ideias, assim como duvidosas verdades. Tudo isto para encobrir, propiciar um cenário fictício, e até mesmo conseguir “dar um jeitinho” na legislação ambiental brasileira, que seria muito eficiente se fosse obedecida, mas como não é aplicada de forma adequada e legítima, agora predomina uma lógica egoísta politica (partidária) antropocêntrica individualista, com visão a curtíssimo prazo.

Acho interessante como os valores de certas coisas se invertem para criamos um embate com os objetivos dos gestores, devendo estes se lembrarem a todos instantes que mesmo sendo maioria em vários temas, não lhe dá o direito de burlar leis, alterá-la ao seu bel prazer, assim como suplantá-las ou impô-las, para isto existem as leis, para que nenhum ser se torne Deus, uma soberania soberba, um desvirtuamento moral da administração.

Outra coisa importante em ano de RIO+20 é atentar que, apesar de contrariar muitas expectativas, terá um dos focos centrais a erradicação da miséria, mas que isto não signifique criar uma nova classe de tipo de favelização pressuposta num desenvolvimento fictício e não sustentável. Pois a coerência para um desenvolvimento está em haver uma cidade, região preparada para receber novos empreendimentos e seus efeitos (populacionais, infraestrutura, saneamento e tantos outros), pois neste sentido não se pode piorar o que ainda nem existe, inchar e depois tentar (quem sabe) concertar o estrago já feito.

Acho interessante também que estes, desenvolvimentistas a qualquer custo, começam a debochar de quem defende uma ideia diferente da sua, em Maricá chamam até de forma pejorativa os ambientalistas, quando alegam que estes são “defensores de baleias de papo amarelo”, por sinal esta frase entrará naquelas que jamais esquecerei por tão obscena, e nela é visível a inversão de valores de quem defende as leis, mas como devemos chamar estes que de forma “esperta” querem confundir com informações para conquistar objetivos que infligem leis?

Enquanto Maricá continuar sendo trabalhada como uma região sem unidade, e continuar a serem tratados como parte, e estimulando cada vez mais até mesmo entre sua população o separatismo, jamais conseguirá o reconhecimento responsável dos anseios da população assim como o respeito necessário para um desenvolvimento democrático de direito, além de ser um problema para toda sua vizinhança que hoje está garantido pela omissão e complacência dos órgãos competentes.

Maricá supera em problemas: das invasões na APA em Zacarias e outras localidades, do projeto portuário em Jaconé – TPN, da extração clandestina de areia na Lagoa Brava, do assoreamento de seu Complexo Lagunar de forma significante, além do despejo de esgoto, nos buracos em todas as ruas e pontes da cidade, na falta de infraestrutura e coleta regular eficaz de resíduos assim como seu destino fial, nos 5 megaempreendimentos imobiliários que visam aumentar a população em 400% em 3 anos, nas mortes no hospital, na falta de saúde pública e de um hospital funciona, no transporte deficiente e iluminação inexistente, entre tantas outras coisas.

Nós brasileiros devemos deixar de viver na Lei de Gerson e devemos mais cumprir as legislações, senão para que existem? E, isto vale principalmente para a governança, o exemplo vem de cima! Somente um poder público bem preparado e capaz de implementar a legislação em todos seus segmentos e poderes, além de inovador em seus instrumentos econômicos e tecnológicos serão capazes de criar cidades sustentáveis e neste sentido Maricá, entre tantas outras, mas ela nestes termos aqui apresentadas vai contra todos os princípios de uma Sustentabilidade Duradoura, e ainda se torna um entrave imoral aos seus vizinhos que se tornam quase impotentes, que por extensão territorial no máximo recorrem aos impactos de vizinhança quando lhes dão oportunidade. Pois com o emissário terrestre e submarino do COMPERJ, Niterói não foi ouvida, mas é atingida diretamente em seus mares, a corrente marítima não usa passaporte!

Maricá está traçando um futuro insustentável e com isto fadando a Saquarema, Niterói, Búzios, Cabo-Frio e até mesmo Angra dos Reis para este fim do poço!

A governança tem que ampliar seus compromissos socioambientais e não distorcê-los em interesses próprios, não podemos separar os esforços financeiros e sociais necessários para construir uma economia sustentável naquele ambiente, sem favelizar o humano e o ser. Pois as consequências jamais recairão por aqueles que efetuam estas atividades (empreendedores e governo), mas sim sobre a população, neste sentido o obedecer às leis favorece a uma justiça ambiental (inclusive o meio antrópico) e a relação entre os grupos sociais e vizinhanças. Na hora do enfretamento dos problemas desta insustentabilidade aqueles que mais depredam somem, se omitem, são coniventes, ou “dão um jeitinho” no enfretamento da questão, normalmente: dão às costas.

Ainda há tempo de mudarmos isto, e todos os dias muitos de nós lutamos para mudar esta realidade, mas numa luta desleal já que enfrentamos aqueles  que detém o poder e se utiliza da máquina pública para nos acuar. Dia 20 de junho, todos que acreditam que nós, cada um, podemos fazer a diferença, vamos às Ruas, em frente à cúpula dos povos deixar mensagens claras e incisiva para a Rio+20 e para o mundo de que como queremos que o nosso Brasil cresça, lembramos que não precisamos de muitos, pois não é uma disputa de quem tem mais torcedor, mas sim de quem tem razão, conteúdo, conhecimentos e idealismo para defender.

Leve sua faixa, vista sua blusa, pinte a sua cara, leve sua prancha, grite sim ao GEOPARQUE, Não ao Porto de Jaconé, Não ao emissário terrestre e submarino do COMPERJ e todos seu rejeitos químicos no mar, Defenda a pesca na sua região e seu tipo de pesca, Dignifiquem os descartes e os Bota-foras no Mar, Salve os Sambaquis, Competência à Chevron, O TeBIG é Nosso, Não mais morte no Porto do Açu, Não queremos paliteiro de portos no litoral brasileiro, Sim as energias renováveis – Não á exploração irracional do petróleo, Veta Tudo Dilma, entre tantos e tantos outros temas, o que vale é o ato, pois contamos com a pluralidade.

Ana Paula de Carvalho, uma brasileira que não desiste nunca!

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Sobre Ana Paula Carvalho Silva

apc_anapaula@hotmail.com
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