A GUERRA ASSIMÉTRICA (Parte I)

Uma guerra assimétrica acontecerá sempre que houver uma diferença considerável de forças entre dois ou mais oponentes, que lutam pelo mesmo ideal ou que tem pontos de vista diferentes sobre o mesmo assunto. Este é um dos principais motivos pelo qual o mundo inteiro hoje não fala apenas o alemão ou japonês, na segunda guerra mundial o chamado Eixo composto pelas capitais que estavam no mesmo paralelo, Roma, Berlim e Tóquio declaram guerra ao mundo livre e poderiam ter obtido sucesso se os japoneses tivessem atacados a costa leste da Rússia e não Pearl Harbour, conforme o plano original, desta forma as tropas nazistas da Wermacht não teriam sido detidas pelo exército vermelho, que estaria defendendo o litoral e pelo inverno Europeu na chegada a Moscou devido á forte resistência encontrada, exatamente como havia acontecido na era Napoleônica, um exemplo clássico da repetição da história em épocas diferentes.

A guerra citada acima pode ser considerada simétrica, porque mesmo envolvendo exércitos diferentes possuía um equilíbrio de forças, de tal forma que as ocupações eram medidas palmo a palmo ao custo de muitas vidas. Esta mudança só deixou de ser equilibrada quando se fez uso de uma nova arma e tecnologia, a bomba H e desde então, o mundo continua como sempre foi nos primórdios da humanidade, com o livre arbítrio se assim podemos dizer. Comecei falando um pouco de história da humanidade, para poder evidenciar que este tipo de confronto é mais comum do que percebemos e que especificamente na política é mais clássico do que se imagina.

Fazendo um comparativo sobre as futuras eleições para Maricá em 2012 e com a proximidade dos prazos para candidaturas é preciso que se note que uma disputa apenas entre indivíduos Y não apresenta diferenciais por terem outra nomenclatura, mas por serem iguais entre si. Passa a ser um jogo de cartas marcadas, sem que se note algo que nos leve a uma decisão de melhor escolha, pois estes utilizarão apenas o poder do dinheiro e da dissimulação para atingirem os próprios objetivos. Como desequilibrar, então de forma eficiente, essa fórmula que vem sendo aplicada com sucesso para os atores principais, mas muito deficiente para o restante da platéia, que assiste atônita o desenrolar da peça de teatro tantas vezes encenada variando de tragédia a comédia pastelão?

Vejo uma necessidade urgente de mudar esse necessário e para isso a disputa precisará ser entre elementos X e Y, onde podemos atribuir X ás candidatas femininas e Y aos masculinos. Um possível confrontamento entre candidatos ao executivo e legislativo de ambos os sexos, certamente gerará um desequilíbrio quantitativo, pois não poderá ser medido, uma vez que não existem parâmetros anteriores significativos ou referencias estatísticas comparativas.

O que se sugere, no entanto, para que se possa disputar em pé de igualdade ou em nível superior é que as candidatas preferencialmente tenham um perfil de aceitação pública bastante evidente, que estas estejam em sintonia como os problemas locais de formas abrangentes e engajadas nas lutas do município e o vejam como um único organismo. O discurso de que as pessoas que lutam acirradamente não têm pretensões políticas ou por motivos pessoais, acham que não devem se envolver a este nível é no mínimo equivocado, porque é preciso ter o entendimento que se não forem estas a tentarem mudar aquilo que combatemos incessantemente, ninguém mais o fará, pois regularmente são dissuadidas de forma muito incisiva até pelas pessoas mais próximas.

O cenário só poderá ter um revés se apoiarmos um contingente significativo de mulheres para arrumar a casa, já que os homens se mostram seguidamente incapazes de fazê-lo. Não podemos e não devemos subestimar o poder que exercemos dentro e fora do lar e desta forma. Mostramos daquilo que somos capazes além de gerar filhos, educá-los e sair ás ruas para protestar contra a imoralidade da política e o descaso dos governantes, só podemos virar o jogo se o desequilibramos através da nossa presença de forma incisiva e capaz. A coisa que os políticos de hoje mais temem é não poderem competir com os seus adversários quando estes não puderem ser medidos quantitativamente ou qualitativamente, portanto é chegada a hora de deixarmos de lado pré-conceitos e encararmos de forma objetiva a política, ou seremos sempre escravos dela e dos seus dominadores.

Numa guerra assimétrica um dos lados não tem todas as armas e recursos que o outro, mas tem a força e garra de lutá-la todos os dias, acabando por vencer seu inimigo por estratégia, inteligência e acima de tudo perseverança.

Ana Paula de Carvalho, Membro do Movimento LUTO por Maricá

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Sobre Ana Paula Carvalho Silva

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