Arrombando no Carnaval de Maricá!

Durante as férias de janeiro, do qual meus filhos participaram do Projeto Botinho, atividade ministrada pelo corpo de bombeiros a nível estadual com muito sucesso por mais de 50 anos, tive a oportunidade de conversar com pessoas de todas as camadas sociais. Ouvi muitos relatos de pessoas que adorariam morar aqui (sem saberem das mazelas municipais) e de outros que regularmente utilizam este hoje balneário como opção de lazer nas férias programadas ou sazonais.

Dentre muitos assuntos que me chamaram a atenção, um deles só ficou evidente neste momento de proximidade do Carnaval, pois até então surgia na mente como uma hipótese remota de sucesso, ainda que conceitualmente fosse plausível. Entretanto, vi uma situação no mínimo inconsistente com tudo aquilo que acredito, com a chegada desta festa que como todo o povo Brasileiro, simpatizo, não só por ser um evento de extrema exteriorização pessoal e coletiva como também pelo período de confraternização e reflexão.

Um conhecido que aluga regularmente uma casa na Barra de Maricá, já havia me confidenciado que em algum momento haveria interesse em fomentar um pequeno negócio em nosso município, ora que fiquei muito contente em saber que tal pessoa empreendedora tinha planos que se estabelecer aqui, trazendo novas aspirações e possibilidades de comércio, para um local tão combalido nos últimos anos pela concorrência desleal de camelôs e afins, subtraindo dos comerciantes já inseridos na economia local, pagadores de contribuições e empregadores regulares seus rendimentos. Esta poderia ser uma Boa Nova.

Resumidamente o fato é este; Esta pessoa conhecida, pela qual não posso deixar de ter o meu apreço, independente do incidente (acidente involuntário), ainda que venha a fazer algumas vítimas indiretas e traga transtornos à localidade, decidiu neste verão, em conformidade com os outros divisores do espaço de locação que são aproximadamente 3 a 4 famílias por a cada casa de sala dois quartos, cozinha e banheiro, mas que pelo valor de R$ 450,00 por mês torna-se uma pechincha para os seus usuários, que montaria uma barraquinha na praia!

Pois então, esta concorrência se estabelece junto aos comerciantes devidamente legalizados, uma vez que pessoas estranhas ao ambiente resolvem de forma ilegal comercializar produtos de origem duvidosa ou não, mas que não trarão receita tributária ou agregadora para que a economia seja revitalizada. Mais agravante é que sabidamente não haverá por parte dos órgãos fiscalizadores uma coibição de tal pratica, estamos com absoluta certeza entregues ao Mercado das Pulgas, Acari dos anos 80 mudou apenas de endereço, vale tudo, desde o produto roubado, que pode ter custado a vida de outra pessoa, até á água de coco bem gelada.

Assim como acontece nos grandes engarrafamentos, e sabedora de que as pessoas nunca questionam onde os ambulantes lavam as mãos após fazerem suas necessidades nas vias, já que o comercio adjacente não permite a utilização dos seus sanitários, e pegam nos gargalos dos refrigerantes e pacotes de biscoitos com o ácido úrico ou coliformes ainda ativos em suas falanges! Todos querem saber é de incentivar o comércio de rua de procedência duvidosa, acintosa, interrompendo as vias de acesso, colocando a vida de pessoas em risco até porque se expõem a riscos de todos os tipos.

Sendo assim, a finalidade é um pequeno negócio temporal (pelo período de duração) de venda na areia de todos os tipos de produto que já adquiriram em mercado do Rio de Janeiro, os quais após o consumo indiscriminado serão descartados nas nossas praias e rede de coleta de resíduos urbanos. Resumidamente estes estrangeiros estão a bem da verdade, trazendo produtos que serão consumidos pelos turistas, que descartarão suas embalagens como lixo o qual seremos obrigados a recolher, pagando o preço normal de tonelagem que aumentará neste período e que em contrapartida, não deixarão qualquer tipo de beneficio para o nosso município e sim a despesa de coleta e evasão de divisas!

São turistas que não consomem aqui, trazem tudo de fora, sublocam seus espaços entre famílias, se aproveitam do momento para pagar a estadia e ainda levam os recursos adquiridos para fora, não permitem o desenvolvimento do comércio local e ainda geram resíduos que serão contabilizados para os moradores, que já não possuem sequer suficiência para sua rotina. Isto é, além de não acrescentarem nada, ainda depredam o que existe. Por isto, se queremos ter a nossa economia embasada em turismo, como vemos em muitos locais, não devemos permitir esta estratégia predatória, mais impactante que muitos empreendimentos no sentido sócio-cultural de nossa região que se apropriam desta fragilidade administrativa em que vivemos.

Ou mudamos o conceito de turismo aqui ou passaremos a conviver com a ilegalidade em todos os segmentos, porque em algum momento as pessoas estabelecidas também irão mudar para a informalidade.

Ana Paula de Carvalho

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Sobre Ana Paula Carvalho Silva

apc_anapaula@hotmail.com
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