Turismo ou Visita Técnica?

Recentemente li nos jornais on-line e no próprio site da Prefeitura Municipal de Maricá, uma matéria encaminhada/elaborada pela Secretaria Municipal de Comunicação Social, que através da Secretaria de Turismo buscarão a excelência no turismo para nossa Cidade, informando que segunda-feira (27/09/10) foi apresentado, durante seminário, os resultados dos indicadores avaliados nos 65 destinos indutores de turismo no Brasil e em Maricá, através de um estudo de competitividade realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

Acreditando na lisura da FGV completamente antagônica à atual gestão municipal, que se mostra invariavelmente tendenciosa em suas informações, se permitiu apresentar em entrevista que de todas as cidades avaliadas a pior em Saneamento foi Maricá e acrescento aos estudos a verificação de que HOJE e a curto/médio prazo (dentro do tempo determinado para cada gestão pelas eleições de 4 anos, e que deste só nos resta pouco mais de 2 anos) não existe possibilidade deste setor ser indutor de desenvolvimento econômico assim como de inserção social, com toda crise governamental existente, a repulsa dos moradores pela atual gestão municipal diante tantos problemas são inconcebíveis para nós quanto mais para visitantes.

Não precisa ser profissional, técnico ou gestor muito conceituado para identificar que para que desfrutemos de nossa vocação para o turismo seja necessário potencializar seus atrativos, capacitar sua mão de obra, incentivar seus empreendedores, divulgar sua história, cultura e belezas naturais entre tantos outros instrumentos imprescindíveis para tal excelência neste território profissional. Sinto por mais uma vez esta gestão “usar” órgãos competentes para driblar a realidade e criar expectativa e contextos fictícios.

O pólo Naval, o COMPERJ entre outros jamais podem fomentar políticas municipais de turismo, (como política de desenvolvimento industrial, sim e parcialmente como urbanismo). Do ponto de vista profissional, para fins de visitação técnica onde poderão ser observados diversos “empreendimentos” em Saneamento (falta dele) acontecendo. No tema de visitação técnica de como não gerir uma Cidade, somos exemplares e temos exemplos em qualquer circuito pode observar que:

· Não existe programa de coleta de lixo domiciliar, de praia, áreas de proteção e ainda serviço de limpeza urbano qualificado e de manutenção de mobiliário urbano

· Não existe atendimento hospitalar razoável nem para quem reside nesta cidade

· Não existe segurança em estradas e ruas esburacadas e obras interrompidas

· Não existem obras legítimas e necessárias

· Não existe transporte qualificado para traslado internamente

· Não existe transporte entre Cidades vizinhas, na região dos lagos

· Não existe preparo na urbanização para turismo

· Entre muitas outras improbidades administrativas, incompetências e amadorismos

OBS: Ao fim colocarei fotos onde ainda estamos vivendo, e que são inconcebíveis para recepcionarmos adequadamente o turismo. Alerto que todos os campeonatos, eventos e outros, programados pela Prefeitura foram realizados no meio do lixo, de um ambiente sujo e perigoso, sem instalações seguras, sem vistorias de CREA, realmente não aconteceu algo mais sério foi porque não teve público para tal.

Os principais elementos culturais que motivam as pessoas a visitar determinadas regiões, são as belezas naturais, o artesanato local, as tradições, a gastronomia, as artes, a música, a história regional, a arquitetura, as manifestações religiosas e outros itens menos relevantes.

Razão esta do porque não podemos permitir o desenvolvimento descontrolado, pela implantação de política de turismo incoerente com a nossa real conjuntura político-social, pois será a consignação de muitos impactos irreversíveis. Se hoje já existe poluição, poluição das águas por águas servidas, pela ausência de saneamento básico, poluição através de resíduos sólidos (lixo) por falta de coleta ou programas de gestão, a destruição da paisagem natural, de sítios históricos e de monumentos, aparecimento de espécies de plantas e animais exóticos, estranhos ao ambiente, assim como os aspectos sociais como a conivência por parte da mídia e a omissão dos órgãos normativos e fiscalizadores competentes na administração incompetente e amadora.

O vandalismo surge e passa a ser paisagem nos ambientes, em construções de equipamentos municipais de forma não harmônica e desrespeitando as características urbanísticas e naturais originais da localidade. A construção destes cuja arquitetura, materiais ou estilos podem contrastar demais com o meio natural, são registradas descaracterizações das tradições e dos costumes das comunidades receptoras, cujos ritos e mitos muitas vezes são transformados em shows para turistas, agredindo a qualidade de vida dos moradores locais e péssima experiência vivida pelos visitantes.

Se hoje já contamos com fatores conflitantes entre população e gestão, imagina se inserirmos mais um ator neste episódio que são os turistas? O resultado desta tensão social causará agraves jamais recuperáveis e produzindo uma ruptura no meio econômico a serem sentidos por todos. Estes fatores poderão ser sentidos em toda região, principalmente com desemprego em períodos de baixa estação.

Como declarou Roberto Naime, Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS, no site ECODEBATE, “Planejar, organizar, controlar e interceder sempre que necessário são necessidades que o setor público não pode deixar de praticar. Num estado que tem se notabilizado pela sua ausência nas suas funções precípuas de planejamento e regulação, um grande sonho pode se tornar um pesadelo.” É necessário prever, ordenar e organizar os fluxos turísticos.

Já não existe o respeito dos gestores pela população e principalmente vice-versa, como conseguiremos a polidez e o respeito necessário onde o antagonismo é visível, real e diário, com a troca de hostilidade entre todos. Vivenciamos hoje a ignorância de lançarmos uma idéia de turismo com aquela esperteza peculiar e pejorativa, da atual administração municipal, na ânsia de obter todas as vantagens da atividade turística a qualquer preço, principalmente não existindo planejamento das atividades e todas as mudanças de paradigma tendem a se consagrar rupturas sociais de gravidade variável e intransponível, características constantes de Maricá “levar/tirar vantagem” (principalmente política).

A sociedade já foi violentada, na seqüência o meio-ambiente já vem sendo desrespeitado diariamente e jamais voltará a ser o que era antes, seja pela falta de planejamento prévio, organização sistemática ou atividades de controle, mitigação ou compensação constantes. Devemos acrescer os novos hábitos trazidos pelos visitantes (e novos moradores profissionais temporários) fomentando uma drástica alteração nos padrões inclusive de moralidade em função das mudanças, em pouco tempo contaremos com o surgimento da prostituição, criminalidade ativa e até mesmo o jogo organizado, com parco exemplo de algumas das conseqüências. Se estes princípios já vem sendo alterados por questões políticas de governo imaginem o risco com implantação de política de turismo no momento? Por estas razões entre tantas outras é muito importante que o turismo seja controlado.

Toda a herança cultural deve ser valorizada associada com a preservação do patrimônio artístico, histórico, urbanístico e cultural da localidade ou região, assim como as manifestações de orgulho étnico, religioso, esportivo ou artístico que valorizam e trazem grande auto-estima para as populações locais. O equilíbrio é o balizador para conter manifestações de arrogância cultural, onde as tradições e costumes que interessam e motivam os turistas, sejam mantidos afastados, distantes ou protegidos de contato direto ou pessoal.

Esta atividade também não pode oferecer riscos e comprometer a autenticidade, credibilidade e espontaneidade do artesanato local, impedindo e desacreditando seu desenvolvimento, entretanto deve ser um instrumento de revelação da cultura, fazendo renascer aspectos que estavam no esquecimento ou em extinção, ou simplesmente valorizando o artesanato local separando do verdadeiro artesanato das bugigangas que evitam assim a vulgarização das manifestações culturais tradicionais.

Podendo também atuar como veículo ou agente de disseminação de doenças que a infra-estrutura local não está preparada para enfrentar. Se em 4 meses (janeiro a abril) já morreram 13% a mais em nosso hospital que o ano de 2008 inteiro, jamais poderíamos investir ou vislumbrar incentivo de turismo na região sem existir um instrumento de saúde funcional eficaz e tantas outras imprescindíveis para uma recepção básica. O setor de saúde em Maricá só continua funcionando por total descaso (DATASUS, está tudo ali registrado) das centenas de denuncias existente em diversos setores (do MP ao policial, dos jornais locais ao jornalismo televisivo).

Por outro lado o turismo ecológico pode fomentar importantes impactos positivos para esta atividade, contribuindo para a criação de áreas, programas e entidades de proteção ambiental, através de campanhas e programas de educação ambiental aos turistas e moradores de todas as faixas etárias. Este tema é muito sensível, mas é necessário demonstrar que os espaços podem ser agredidos e o conceito de meio ambiente engloba todas as variáveis relevantes dos meios físico, biológico e antrópicos, exigindo cuidados.

A atividade turística em geral apresenta um grande potencial de crescimento, mas implica necessariamente em obras de infra-estrutura e ações de estudos e planejamentos que viabilizem intervenções relevantes na organização da atividade. A simples ostentação involuntária de tempo e dinheiro, as especulações de diversas formas incentiva as migrações de populações locais ou regionais constituindo assim um problema importantíssimo a ser administrado (que já é realidade em muitos bairros), inclusive são instrumentos para favelização e ocupação desordenada do solo.

Maricá já ofereceu recursos naturais em abundância e de beleza singular, mas hoje se vê escondida coadjuvantes a um cenário miserável. Explorada sem planejamento, invadida indecorosamente e destruída descaradamente como vem acontecendo entre tantos exemplos destaco a Lagoa de Araçatiba em toda sua extensão, com provas e fatos visíveis e contrastáveis, ignorados obscenamente, tornando nosso apelo impotente como se fosse uma histeria coletiva injustificada e injusta. Belezas como a Pedra do Elefante, a Serra Tiririca, a praia de Itaipuaçu entre outras, a Pedra de Itaocaia, a Pedra do Macaco, todo seu entorno, a Pedra do Silvado, o Espraiado, o Pico da Lagoinha, o farol de Ponta Negra e sua praia, o sistema lacustre de Maricá, a Serra do Camburi, a Barra de Maricá, sua restinga entre outra estão assoladas ao meio do lixo, esgoto, descaso e omissões.

Mesmo com abundância e beleza, a cidade se afunda na urgente necessidade de toda infra-estrutura básica como, transporte, pavimentação, saúde, educação, iluminação, limpeza urbana são serviços ausentes e prioritários para posterior estruturação de qualquer política voltada ao turismo, simultaneamente estímulos a prática esportiva (abandonada à 22 meses) e de lazer (inexistentes) e ações turísticas neste segmento. As crianças e jovens até hoje só conhecem projetos e idéias, práticas esportivas são importadas só para por água na boca de quem vive aqui.

Sem esquecer na necessidade de investimento em medidas preservacionistas essenciais em alguns casos, a fim de manter a qualidade e atratividade dos recursos naturais e sócio-culturais. Considerando que a própria renda decorrente da atividade turística proporciona as condições financeiras necessárias para a implantação de equipamentos de infra-estrutura ou outras medidas conservacionistas que freqüentemente diversas empresas interessadas na atividade adotam programas de consórcios comuns de preservação e valorização. Com cuidado para não cair no erro de que os recursos da atividade turística circulam de modo restrito, privilegiando a organização do núcleo receptor, enquanto a população como um todo não é beneficiada pela atividade, ficando com uma parcela menor dos recursos.

Quando da criação de mais um Conselho (conforme sugerido no artigo de convocação/convite), como mais um instrumento de burocratização através da máxima atual de se ter a maioria e poder tudo, não considerando pluralidade/diversidade e respeitando das minorias, se torna só mais um instrumento de manobra e tendencioso, comprovando a política viciada da atual administração. Será mais um Conselho para tentar impor com autoritarismo, enfiar nossa goela abaixo coisas e fatos irreais, inexistentes e insignificantes. Jamais alcançaremos e se torna desnecessário a elaboração de um plano diretor de turismo, já que até então não obedeceu e sequer houve empenho no cumprimento do plano diretor da Cidade, parado, esquecido, manipulado, distorcido e corrompido que se negam a seguir.

Temos que considerar que o predomínio da burocracia nos partidos políticos, especialmente nos partidos fascistas, nazistas, socialistas e comunistas, ocorre por uma necessidade técnica. Não permitirão os de fora influir ou aconselhar, sendo assim essa burocracia partidária, frequentemente ultrapassa a sua função de assessoria do político e passa a ditar regras nos partidos políticos. Tornando estes colegiados um instrumento de imposição de suas políticas nada democráticas. E, não somos partidos, somos a população e não devem nos tratar como se ainda confiássemos nesta administração, este sentimento já não existe mais!

Realmente Maricá passa por um momento de mudança estrutural, contando os dias para que se interceda objetivamente e ver todos os envolvidos punidos, que se torne público este escândalo e que se torne visível a todos. Existem muitos indivíduos e diferentes movimentos que exigem a deposição da atual gestão. Acredito que muitos de nós desejamos que o turismo venha a ser a vocação de Maricá e o nosso futuro, como sustentabilidade econômica e que os royalties sejam como um bônus coletivo como “plus” nos fatores econômicos, sociais e culturais, inclusive para criação de planos e programas de conservação e preservação de áreas naturais, sítios arqueológicos ou monumentos históricos e arquitetônicos.

Mesmo sem nunca ter acontecido, só por especulações apresentadas nestes últimos anos sobre pólos industriais e projeções turísticas profetizadas, já contamos com a ocupação irregular e a destruição de áreas naturais, que se tornam desordenadamente urbanizadas (favelizadas), com ausência de saneamento básico, ausência de infra-estrutura geral para a localidade, muito comum em todo litoral brasileiro, onde o uso e a ocupação desordenada do solo produzem situações de difícil reparação e danos ambientais relevantes e muitas vezes irreversíveis.

Urge o restabelecimento da ordem nesta cidade, a recuperação psicofísica dos indivíduos, do combate a corrupção bizarra e o respeito aos munícipes. Feito isto, na seqüência deve implantar um plano de infra-estrutura básica, para posterior iniciar a construção de um futuro em diversos planos, e políticas, entre eles a utilização mais racional dos espaços e a valorização do convívio direto com a natureza são itens de relevância e que devem ser ressaltados em nossa Cidade.

Demonstrar que o turismo tem um potencial e uma importância muito grande é fácil, que devemos consagrar como uma das principais fontes de renda no futuro para nosso Município é fato e consenso, mas exige planejamento prévio, legítimo e competente para que todas as suscetibilidades sejam corretamente avaliadas e planejadas dentro da compreensão de que “entendemos o desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável” (ECODEBATE).

Queremos esta como a mais importante fonte de economia no futuro para toda a Maricá, seguros de que seu êxito depende de investimentos na infra-estrutura e minucioso estudo e planejamento das atividades, para compatibilização dos empreendimentos com as características dos meios físico, biológico e antrópicos de nossa região.

Por isto, não se permitam iludir e se enganar com notícias de veículos jornalísticos que não apresentam uma situação real, talvez mesmo que inconsciente de culpa com a ilusão de uma suposta explosão de desenvolvimento (“BOOM” de Maricá, como se referem). Não permitamos nos assolar em devaneios de projetos (até possíveis) se não temos hoje uma base sólida e consolidada de trabalho e de segurança popular para quaisquer empreendimentos diante ao amadorismo e incompetências até então consolidado, comprovado e continuado.

O fato é que hoje não existe a possibilidade de turismo, nem mesmo análise de demandas diferente daquelas que visem à infra-estrutura, entretanto podemos estabelecer visitas técnicas para abalizar a calamidade sanitária instaurada nesta Cidade. Por isto e mediante a toda esta incompetência e amadorismo queremos a destituição da atual gestão e todos aqueles que compactuam nesta cidade.

Ana Paula de Carvalho

Diga não a atual gestão! Diga Fora Quaquá!

Lute por Maricá!

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Sobre Ana Paula Carvalho Silva

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