Um Dia Fora de Casa (parte 2) – VISITA A ITAIPUACU

Sábado 12:00, após meu compromisso cívico na cidade de Maricá e com tempo disponível resolvi que poderia prestigiar um pouco os meus vizinhos e resolvi rever os lugares que tanto gosto em Itaipuacu, peço desculpas desde já aos queridos amigos pela insistência do meu teclado em não colocar o Ç nesta palavra por algum motivo “desconhecido” e espero que não levem a mal o fato de ser escrito desta forma no decorrer desta narração.

Como já havia certo tempo que não transitava por ali, devo dizer que fiquei transtornada com o que vi desde o início das vias de acesso até ao que podemos considerar o centro do bairro. Seguir em linha reta é praticamente impossível e na pressa das pessoas chegarem a casa já que o fluxo de veículos é enorme, muitos trechos em horários que não são de pico ficam congestionados pela demora em superar os obstáculos, as pessoas nervosas acabam por ficarem mais agressivas do que o normal, mas é bastante compreensível, afinal ali sempre foi uma referencia de moradia e qualidade de vida, quantos amigos ao longo dos anos deixaram o grande centro urbano do Rio de Janeiro para se deliciarem com um paraíso natural tão próximo da capital?

Quanto mais adentrava pela via principal maior era a dificuldade de identificar as coisas positivas, ao contrário, nas laterais onde deveria haver calçamento ou mesmo áreas públicas ou particulares reservadas o que ví foi acumulo de detritos e entulho, não me pareceu nem de longe a porta de entrada para aquele que deveria ser considerado o início do município e da Região dos Lagos. Imagino que só um ódio muito grande e inexplicável faz com que esteja acontecendo com Maricá isto que estamos vivenciando e lutando a cada dia para mudar esta realidade torpe de urbanização.

A falta de conservação das praças públicas deixando a limpeza urbana e a manutenção de Parques e Jardins deixa ainda o aspecto visual mais impactante, quase não existem lugares para podermos sentar e a própria arborização está desaparecendo, imagino que falta desta recuperação deixará o bairro mais cinza. A proliferação do comércio de forma desorganizada, sem controle de implantação e fiscalização começa a deixar tudo o que nossos olhos alcançam com um ar de Rio das Pedras (Rio de Janeiro) onde as milícias se instalaram e fizeram da vida daquela população um inferno até hoje não sanado.

Imagino que este processo já esteja se instalando ali também, além dos fortes odores emanados por esgotos perto de restaurantes, onde tentam ainda de alguma forma se manter no negócio, não vi em momento algum qualquer tipo de policiamento ou orientação de trânsito, nada de placas indicando por onde seguir, para onde ir. Enquanto a prefeitura acintosamente exige taxas absurdas para se conseguir alvarás, talões de notas fiscais e tantas outras exigências que estão dentro da lei, mas que ainda assim não devem ser aplicadas quando da inviabilidade de se poder dar condição de continuidade ao comércio, e faz isso de forma ampla, abrangente e corrupta, as pessoas sobrevivem da forma que podem com o mínimo de dignidade restante.

Devo dizer que continuo tendo muita empatia com o que está acontecendo não só aqui, mas por todos os outros bairros que compõem o município, durante todo o trajeto me senti em casa porque a minha realidade em Cordeirinho, Ponta Negra, Bambuí e tantos outros não são diferentes, os buracos não são os mesmos, mas surgem da mesma forma e nem por isso maiores ou menores.

E percebo que enquanto não nos unirmos como cidadãos e não como bairros nada conseguiremos de melhorias ou mudanças para ventos mais promissores, não podemos deixar que a questão geográfica nos isole de forma a que aparentemos uma fraqueza que não nos é peculiar. Somente através da união poderemos mandar os recados que os políticos se recusam a receber e ouvir, essas respostas não devem ser apenas das nossas reclamações como também nas urnas na próxima eleição.

Não queremos mais que governantes que não tem compromisso com a população ocupem os cargos para os quais os designamos e depois de eleitos acabam por nos tratar como lixo, não devemos mais votar em partidos e legendas que fazem vista grossa para os mandatos de seus candidatos e não se movimentam numa intervenção, nem mesmo quando o povo vai ás ruas implorar por um pouco de atenção.

Exigimos hoje o mínimo da condição humana de civilidade nada mais do que isso porque sabemos até que não são capazes de gerir as moedas que tilintam nos seus próprios bolsos, o grande medo da sucessão sempre foi e será se os novos empossados conseguirão manter o que os governos anteriores fizeram que também invariavelmente nunca superam o básico, prosperidade nem pensar, e neste caso que vivenciamos hoje é um aprova de que é possível sim piorar antes de melhorar. Que isto sirva de lição para todos nós e tenhamos a humildade de reconhecer nosso erro nas urnas e tentar mudar esta realidade no futuro próximo.

Ainda continuando com a visita a Itaipuacu, confesso que tive alguma dificuldade para achar a orla, por outro lado me mostrou outras ruas adjacentes tão prejudicadas como o restante que já havia visto corroborando que notadamente ainda que alguns lugares tenham melhores habitações que outras o problema é generalizado. No intuito da minha visita não só comprovar o que tenho lido e visto através de todos os meios de comunicação, mas também levar um pouco de solidariedade estendi a campanha Entre Livros ao máximo de lugares por onde passei, acho que todos nós precisamos ser presenteados nem que seja com palavras dentro de um livro.

Por fim, avistei o mar e percorri toda a orla onde vi lugares e construções feitas com muito esmero e carinho, sonhos de pessoas como nós que se realizaram e que em algum momento a cidade deixou de atender aos princípios primários da qualidade de vida, quase todos desistiram, não havia restaurantes abertos nem crianças saltitando pelas ruas, ninguém caminhado e conversando descontraidamente, absolutamente nenhuma pessoa para poder dizer Bom Dia! E é uma tarde se sábado de fim de semana, de descanso e lazer, não quero acreditar que este lugar se transformou para sempre no ITAIPUAÇU DO MUNDO (o Ç voltou a funcionar, pois de outra forma a frase ficaria com uma conotação diferente) mesmo assim fotografei coisas que me deixaram uma impressão de que podemos recomeçar e reconstruir sobre as ruínas e lembrarmos que somos Brasileiros e nunca desistimos!

Ana Paula de Carvalho
www.civilidade.com.br

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Sobre Ana Paula Carvalho Silva

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