Amigos, aqui vai meu endereço, mas não me visitem!

Queridos amigos me desculpem por não convidá-los para assistirem a Copa e aproveitar a região praiana onde moro. Mas, ao longo de todo o caminho até aqui em casa verá uma paisagem que não é condizente com a localidade (conforme fotos abaixo), e em qualquer outro bairro local não será diferente, infelizmente aqui carecemos de serviços básicos á bastante tempo. Só para ilustrar vou apresentar roteiro Centro-Cordeirinho seguindo a trilha de resíduos e algumas considerações:

Saindo do Centro pela Estrada do Boqueirão: Sabe aquela soverteria que as crianças amam? Pois é, fica a menos de 10 metros deste repositório de lixo, onde cachorros (aqui podemos incluir na lista de vetores) como tantos outros espalham os resíduos, assim como aquela placa de água de côco, que hoje pela questão sanitária faz jus á forma errada como está escrita.

Ainda na estrada do Boqueirão, famílias tentam minimizar problemas em suas casas, na tentativa de facilitar uma possível e sonhada coleta concentrando lixo em locais comuns, mas são só esperanças, outras mantém em suas lixeiras por um tempo, mas acabam por ficar lotadas juntando com o dos vizinhos e pondo novos sacos. Mas o lixo chega a ficar exposto por 29 dias contados.

Sabe, aquele restaurante chique, que vimos algumas algumas celebridades e políticos? hoje seria alvo de vigilância sanitária, assim como tantos outros estabelecimentos, pois mesmo que não sejam grandes geradores (pois aqui ainda não existe tal regulamentação, ou nem mesmo geram tanto resíduo) não estão tendo sua coleta, ficando o lixo exposto ás intempéries. Cada indivíduo tentando acondicionar o melhor, mas não havendo coleta, não existe como evitar tantas moscas na mesa. Ou come a comida fria por causa do ventilador ou quente com temperos alados oportunistas.

Pessoas em lugares com um pouco maior de concentração de moradores, fazem pilhas imensas, pois caso não coletem queimam. Já não sei ao certo o que é pior, se é o lixo há dias amontoado ou incinerar, até porque por nossa formação sabemos que as moscas são responsáveis pela transmissão de várias doenças como: Diarréias infecciosas, Amebíase, Helmintoses, e outras parasitoses, e estes locais também virão a servir de criadouros e esconderijos de ratos responsáveis por veicularem outras tantas doenças. Sem contar o contato direto do homem com este lixo que atrairão problemas diversos, ou quando este resíduo serve de alimentos a outros animais. Ainda como doenças têm as Triquinoses, Bilita, e também os mosquitos pelo acumulo de água em objetos como latas, garrafas e outros, encontrados geralmente nestes sítios.

Sem roteiro e rotina específicos, sem pessoas capacitadas (do quadro da prefeitura, pessoas que entendam que o cidadão é o cliente e não seus chefes) e treinadas (todo profissional qualificado é profissional valorizado e corresponde ao dever outorgado) para tal atividade, com a utilização de veículo específico (não adianta caminhão basculante, como chegou a acontecer), equipamento apropriado (como instrumentos para serviço, equipamentos de segurança e uniforme completo). Principalmente, sem uma programação de dias e horários, mantendo o menor tempo de exposição de resíduo, facilitando a qualidade e eficiência do acondicionamento na fonte geradora, não será possível evitar proliferação de vetores. (lembrando como observação que o ciclo da mosca é de 12 dias e que neste período uma mosca tem de 4 a 6 posturas e cada uma delas com um mínimo de 120 e o máximo de 150 ovos, é muita mosca!).

Sabemos que um serviço de coleta de lixo tem que estar sempre considerando três requisitos principais: Periodicidade, Freqüência e Horário. Sabemos que existem vantagens econômicas utilizando as soluções de forma adequada para problemas relacionados a lixo. E seu planejamento e organização no sistema de coleta estão diretamente relacionados á Saúde Pública.

Ah! Nem pensar em ficar naquelas pousadas da Barra de Maricá ou fazer compras em mercados e mercadinhos de toda a Cidade, pois todas estão sofrendo como todo o comércio, e passear a noite entre o lixo é muito desconfortável.

Sem contar que se houver a chuva prevista corremos o risco de fazer o Caminho por Ponta Negra ou Bambuí, ambos com buracos, sem sinalização, iluminação e um roteiro sensivelmente maior, porque resolveram abrir um canal entre a Lagoa e o Mar, sem estudo adequado e de qualquer maneira, pois nem placa com identificação de engenheiros até hoje existe no local. Ainda assim podemos apreciar os fios dos postes rentes ao chão, e o assoreamento da lagoa com o barro que retiram da Rua 40 na Ponte Preta (indevidamente) na tentativa de criar um lastro para fazer uma estrada de terra batida naquele local.

A Avenida Central, agora chamada de Avenida Maysa, que se estivesse viva morreria de vergonha, fizeram tanta questão de homenageá-la após a mini-série e a tratam com tanto descaso, até o Governador veio inaugurar colocando seu nome na placa de uma obra tão mal feita que nem durou um ano (esse tem menos vergonha na cara que todos os outros, ainda bem que está de saída). Os buracos foram uma questão de dias para aparecerem (não se coloca asfalto sobre o barro e sem contenção), não imagino que tipo de homenagem seja esta, é certamente sui generis.

 O problema do lixo permanece, melhor falando, perece.

Sem falar nas escolas que também não tem seus resíduos coletados, expondo seus alimentos de preparo de merendas (que estão já nas cozinhas) aos vetores comumente existentes nesta imundice, que também estão voando nos refeitórios juntos ás nossas crianças enquanto as mesmas se alimentam. É impossível não perceber o problema de saúde pública se instalando por toda a região.

Neste percurso também encontramos o posto de saúde descuidado e sem coleta de lixo. É muito lixo!

Como cantava Chico Buarque na música “Meu Caro Amigo”, Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. Muita mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça. E a gente vai tomando e também sem a cachaça ninguém segura esse rojão. É pirueta pra cavar o ganha-pão, que a gente vai cavando só de birra, só de sarro. Eu ando aflito pra fazer você ficar a par de tudo que se passa.”

Como sabem que jamais receberei alguém na minha casa estando a localidade nas condições em que se encontra, lamento que diferentemente desta gestão aqui, que faz Velocross, passeios no espraiado, Campeonato de Frescobol e diversos outros eventos, e ainda convidam e expõem os convidados ao lixo. Acho uma falta de respeito tais problemas, inclusive de ordem de saúde. Estamos no inverno e mesmo à noite temos moscas em casa. Já temos muito mais moscas que cidadãos, podemos chamar o prefeito de “O Senhor das Moscas”!

Ultimamente são anunciadas várias obras, todas de responsabilidade do Governo Federal ou Estadual (deve ser a razão para que o governo municipal não invista os milhões arrecadados entre impostos e royalties e ofusque a campanha de seus amigos que este ano concorrem ás reeleições), mas até então nada fizeram para conquistá-los. Contam com nossa curta lembrança, devem estar guardando o dinheiro para algo muito especial já que não terão tempo para realizar nem técnicos competentes para projetar.

Uma atitude racional do governo do estado ou federal seria a intervenção imediata, não adiantam obras se não haverá população para usufruir. Não entendi como nenhum órgão fiscalizador não tenha interditado a Cidade, com tantos problemas sanitários. Nem mesmo os próprios partidos se fizeram presentes para auditar! Faltam responsáveis e sinalização de obras, inúmeras mortes no único hospital ineficiente, e escolas que não oferecem condições adequadas para alunos e professores.

Pode ser também que estejam achando que estamos numa quarentena e fomos esquecidos estando isolados, melhor marginalizados por 18 meses, entretanto descobri tardiamente que Lost é aqui e que fazemos parte de algum episódio que jamais alguém entenderá ou irá ser exibido em cadeia nacional.

Na próxima eleição (Outubro) leve bastante em consideração a história deste lugar em seu voto, não eleja quem nada fez até então, quem disse que fez e não fez nem quem diz que fará sem ter condições de fazê-lo. Não reeleja aqueles que inauguram qualquer obra só para se promover sem se importarem como foi feito e a que preço, estas pessoas precisam sair de nossas vidas em definitivo.

Enfim queridos amigos, apesar das saudades continuarei relembrando vocês pelos álbuns de fotografia ou quando puder me ausentar deste município ao visitá-los!

 

Ana Paula de Carvalho

Maricá, 28 de junho de 2010.

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Sobre Ana Paula Carvalho Silva

apc_anapaula@hotmail.com
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